Quinta-feira, 7 de Junho de 2012
 

...da Feira do Livro do Porto.

 

DSC01053.JPG

 

Sinto-me como a formiguinha a armazenar alimento para o Inverno... e que belo banquete me espera! Hmmm!!!!

 



publicado por numadeletra às 14:37 | Link do post | Comentar | Ver comentários (14) | Adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 6 de Junho de 2012
 

A Harpa de Ervas, de Truman Capote.jpg

    

“Delicioso” é o melhor adjectivo que encontro para resumir, numa só palavra, “A Harpa de Ervas”, de Truman Capote.

 

Esta narrativa de poucas páginas foi a minha estreia na literatura de Truman Capote e no novo Acordo Ortográfico.

Fiquei fã do autor e confirmei a minha relutância em relação ao Acordo Ortográfico. Mesmo assim, custou-me menos digerir este "crime" literário, do que previa antes de o experimentar... Só me apercebi que estava perante um exemplar da nova forma de escrita, depois de concluir que os tês e os pês omitidos nalgumas palavras eram gralhas em demasia para virem apenas da Editora. (Felizmente não havia "minissaias" nem “hei de” ou “hão de” nesta narrativa, caso contrário o trauma era certo).

 

Volta e meia apareciam palavras que o meu cérebro, instintivamente, identificava como sendo erros ortográficos, levando-me aos longínquos tempos da Escola Primária. Recordei os meninos da minha sala que apanhavam reguadas da Professora quase de ânimo leve, de tão habituados estarem a essa rotina e de ser também normal, para eles, receberem os seus ditados e cópias repletos de correcções a vermelho.

“20 erros e 14 faltas”, “28 erros e 9 faltas”, dizia a Senhora Professora com ar severo e em voz alta, para que toda a classe ouvisse bem.

Não sei se essas lições ficaram na memória desses meninos, mas pouco interessa para o caso. Afinal, duas ou três décadas depois, a Professora não levou a melhor...

Segundo dita o novo Acordo, muitos dos erros ortográficos da altura são agora a maneira correcta de escrever e o grupo dos bons alunos que não dava erros, terá de reaprender a escrita.

Também este texto estaria cheio de erros e teria um resultado quase igual ao dos meninos maus alunos da Escola Primária, caso fosse avaliado pelo novo Acordo Ortográfico.

Mas como, felizmente, já não tenho de passar por provas de cópias, ditados e redacções, nem o meu trabalho obriga a escrever segundo as regras deste bizarro Acordo, vou continuar a pôr em prática o que aprendi desde tenra idade. Pode parecer teimosia, mas não é. É uma questão de amor. Um grande amor pela língua materna, pelas raízes e até pela Pátria (que me perdoem os meus irmãos brasileiros).

 

Em contrapartida, na sua versão original da Língua Inglesa, ainda hoje “A Harpa de Ervas” se mantém fiel ao que, em 1951, Truman Capote escreveu. Não houve Acordos Ortográficos nem evoluções da escrita, nestes últimos 61 anos.

 

Formas de escrita aparte, gostei tanto deste livro que o li num ápice, e por pouco de uma única assentada... Só não o fiz, porque me parece que começar e acabar uma leitura no mesmo dia pode intensificá-la no momento, mas talvez a remova da lembrança mais facilmente, a médio prazo... E eu quero guardar as memórias desta história comigo o mais possível, das personagens ternurentas que a caracterizam e que fazem acreditar e relembrar que há na terra pessoas tão boas que o resto são falácias...

 

Se servir de sugestão, oxalá gostem.

 



publicado por numadeletra às 11:03 | Link do post | Comentar | Ver comentários (9) | Adicionar aos favoritos

Domingo, 3 de Junho de 2012
 

Uma peripécia em torno de um livro.png

Neste momento viajo e da janela do Tap tenho ao alcance dos olhos um céu azul e um chão de nuvens brancas e fofas. Os 2 lugares ao meu lado estão vagos, de maneira que pousei no do meio “O Perfume da Savana”, meu parceiro de viagem e agradável surpresa (bom para este contexto de viagens).

Fui a primeira a entrar no avião, levando numa das mãos o habitual troley, companheiro destas viagens profissionais que faço há anos, no ombro o saco do computador e na outra mão “O Perfume da Savana”, que li até à hora do embarque.

Ao ser cumprimentada por um dos membros da tripulação, reparei quanto se curvava na tentativa de descobrir o título do meu livro. Não resistiu e disse:

- “O Perfume da...”

- “Savana”, rematei com um sorriso em troca de:

- “É muito bom, conheço bem...”.

- “Conhece o livro?”, perguntei eu.

- “Conheço a Savana”.

Mais passageiros começaram a aproximar-se, fui andando até ao 16F enquanto, olhando para trás, respondi ainda:

- “Eu não conheço a savana mas o escritor é meu amigo...”.

Pela 3ª ou 4ª vez nestas últimas deslocações que fiz pela Tap, chegada a minha vez de ser servida, a assistente de bordo questiona-me:

- “Pediu uma refeição vegetariana, não foi?”

- Abanei a cabeça e tentei mostrar uma expressão de déjà vu, acrescentando:

- “Penso que a minha ficha tem essa opção como preferência mas, apesar de adorar comida vegetariana... tenho de alterar esta informação.”

- “Se quiser eu altero, só tem de me dar o cartão de embarque”, sugere-me simpaticamente, além de me pôr também à vontade para eu ficar com a refeição normal, em vez da sandwich vegetariana.

Respondo que não faz mal, fico com a vegetariana e aceito que mude a informação do cartão, para futuro.

Ainda que minutos antes, no aeroporto de Zurique, tivesse almoçado uma salada e soubesse que no jantar dessa noite, já em casa, me esperaria outra, tentei resignar-me àquela sandocha recheada com uma folha de alface, 2 rodelas de pepino e outras tantas de cenoura. Bom... desisti, ao fim de 2 trincas.

Fechei os olhos e pensei como seria o perfume da savana que o assistente de bordo me disse tão bem conhecer. Do perfume que refere não ser o mesmo da história que estou a ler e deste senhor, em contrapartida, não conhecer Isabel nem o seu aroma.

Para minha surpresa, repentinamente senta-se na cadeira da coxia e estende-me o meu bilhete, acrescentando que já estava alterado.

Mostra-me então o verso, onde escreveu: “Burututu” e acrescenta:

- “Conhece este chá?”

- Não, respondi.

- “Então tome que é bom para ajudar a limpar, vai fazer-lhe bem. A menina tem o fígado gordo.”

- Intrigada, perguntei:

- Como sabe?

- “Eu vejo isso... Pelas energias... sei muita coisa...” (acompanhou o estranho esclarecimento com um gesto da mão à frente do meu rosto e com um certo ar de mistério).

- OK, obrigada, vou pensar nisso.

Entretanto olha na direcção de “O Perfume da Savana” que continua pousado na cadeira que nos separa, e diz:

- “Este senhor, Ludgero Santos, é de onde? Trabalha na televisão?”

Repondi-lhe que era de Gaia.

- “Mas viveu em África...?”

- Sim! Viveu, foi feliz e conhece bem.

- “Eu já li uma série de livros ligados a África. Vou ler este”, diz-me.

- Mas vai ter dificuldade em encontrá-lo, não está à venda nos circuitos habituais. Eu falo com o Ludgero, quer?

Ainda no meu bilhete de viagem escreve o seu enderço de e-mail e, acto contínuo, mostra-mo, descortinando as 3 primeiras letras do seu nome.

Guardo-o entre as primeiras páginas do livro e o (...) levanta-se, porque está a trabalhar.

À saída, fi-lo saber que brevemente daria notícias.

 

Em jeito de remate e porque, uma vez mais o tema foi a escrita e os livros, é extraordinário pensar no impacto que têm na vida das pessoas e quantas vezes as aproximam.

Ler é um acto solitário que exige concentração, mas o que daí se aprende é motivo bastante para conversas informais ou mais profundas, conforme os temas, e para trocas de experiências sempre enriquecedoras.

Afinal tratava-se apenas de mais um vôo de trabalho, acabou por ser um episódio interessante que ainda hoje recordo com simpatia.

 



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Sábado, 2 de Junho de 2012
 

69582481.jpg

                                                                                      ...ou adormecer! 



publicado por numadeletra às 22:51 | Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sexta-feira, 1 de Junho de 2012
 


 


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